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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 17/04/2018 às 10h22

Sangue no olho

Time que pretende chegar entre os seis melhores colocados no Brasileirão não pode jogar o futebol apático e sem vontade que o Bahia jogou nas duas últimas partidas. Na Bolívia até dá para entender com boa vontade, mas em Porto Alegre ninguém há de encontrar uma desculpa plausível para aquela estreia pífia, fora da tradição do clube, que é doar-se além da sua capacidade técnica e fazer, às vezes, o impossível acontecer no futebol.

Aquele tipo de apresentação verificado no domingo passado não condiz com o que se espera desse elenco que o Bahia possui, em tese. Perder os jogos fora de casa parece ser uma norma no Bahia, e acho assim porque não enxergo nenhum vestígio de "sangue no olho" desse time e muito menos alguma determinação na busca por algum objetivo maior. Fora de casa é um time que entra para cumprir tabela.

Entra ano, sai ano, e essa coisa parecida com epidemicidade não é curada, não se trabalha a sua extinção. Por isso que nem sempre sou compreendido quando falo das divisões de base do clube. Não é por ali que enxergo custo como despesa, pelo contrário, vejo como investimento na capacidade de revelar jogadores e evitar importar atletas com salários altos em demasia e imerecidos na maioria dos casos. Agora, para fazer diferente tem de fortalecer as divisões inferiores com profissionais de alta capacidade e não os aparecidos do nada para chegar no clube e fazer uma "limpeza" sem nenhum conhecimento de causa no clube.

Alguém chega querendo apresentar "serviço" e detona uma base de trabalho árduo no clube envolvendo investimentos feitos, comissão técnica e os próprios meninos que estão aí em busca de um lugar ao sol na carreira de jogador de futebol. Aconteceu isso no Bahia recentemente. A intenção do presidente tricolor foi a partir do ângulo empresarial perfeitamente plausível, tudo bem, mas a escolha do profissional para fazer isto é que foi equivocada.

Entendo que o presidente e sua diretoria são tricolores que querem ver o bem do clube e estão trabalhando na busca pelo melhor. Não tenho a menor dúvida sobre isto. Porém, é preciso ser - talvez - menos presidencialista e mais equipe. Ouvir mais os seus pares, inclusive o Conselho do clube, e encontrar os melhores meios para manter uma Divisão de Base reveladora de excelência que no futuro vista a camisa do clube de acordo com o mantra "Nasceu para vencer". A história nos conta dessa forma.

A mescla num time de futebol com a "prata de casa" e o "ouro" que vem de fora é necessário para o desempenho ideal de qualquer time, pois aliam-se amor à camisa e experiência com conhecimento técnico e isto faz times competitivos e vitoriosos, afinal, temos nosso próprio exemplo como ganhadores de dois títulos nacionais com times mesclados de raça e técnica.

Não contesto as contratações feitas, pois se buscou o melhor possível dentro das condições oferecidas pelo mercado. Eu mesmo acho que o Bahia tem um ótimo elenco dentro dos seus padrões orçamentários, mas alguém precisa fazer esse Bahia jogar e dar o melhor de si em campo. Tem de haver mudanças no time principal a começar por Nilton substituindo Elton e Régis que não pode, atualmente, ficar de fora desse time carente - assim todos os clubes de futebol no Brasil - de um meia com a sua qualidade técnica.

Já no trabalho de Guto Ferreira o que me deixa incomodado é o fato de ele não ser um estrategista. Jamais muda uma partida em andamento. Demora demais para fazer substituições e quando as fazem são previsíveis, não surpreende o adversário. Vimos D'Alessandro com exatos 37 anos - jogo com Internacional - matar o Bahia sem nenhum esforço. Teve o espaço que quis para jogar e assim chegou fácil - tanto quanto tirar bombom de criança - à vitória.

Aí vem o Santos motivado e embalado pelo resultado da estreia e muito bem treinado por um estrategista. Será um jogo divisor de águas e disso não tenho dúvida alguma. Sendo sincero, gostei muito de ter sido mais uma vez campeão baiano, entretanto continuo dizendo que o campeonato estadual ilude muito e não se aprende quase nada que sirva minimamente para entrar no Brasileirão, embora neste ano o Bahia tenha sido melhor planejado para a maratona que é o Campeonato Brasileiro.

Contudo, de nada adiantará os esforços da diretoria se esses não forem materializados em campo por quem de direito e dever, que são os jogadores. Com ou sem corredor azul vermelho e branco na chegada à Fonte Nova, tem de entrar no jogo dando tudo que pode. Espero que na semana vindoura esteja eu aqui nesta coluna traduzindo a minha satisfação em elogios. Condições de trabalho existem, com ótima qualidade e conforto, mas a torcida quer sentir-se confortável também em relação a esse time dentro de campo.

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