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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 22/11/2018 às 11h09

O que vai bem fora das quatro linhas reflete dentro delas

Um trabalho bem feito não merece críticas, principalmente quando o melhor do que se dispõe é utilizado com inteligência. Enderson Moreira fez o Tricolor chegar às portas do sucesso no atual campeonato gerindo bem os seus comandados, dando padrão de jogo definitivo ao time e acrescentando ao mesmo a possibilidade das variações táticas que se fazem necessárias durante um jogo.

Quando o Bahia fez o distrato com Guto Ferreira até achei que não era o momento para a demissão pela exiguidade de tempo para alguém arrumar a casa. Pensei que viria algum treinador do “andar superior”, mas o anunciado foi o nome inesperado do emergente Enderson, que a princípio parecia tecnicamente similar ao antecessor – pelo menos assim pensava eu.

Não que eu desconhecesse o trabalho dele, sim pelo fato de, à exceção do Goiás, nenhum trabalho duradouro ter acontecido em sua curta carreira até então. A aposta da diretoria tricolor foi ousada, porém reprovada pela maioria da torcida. Demorou para o torcedor entender o trabalho do comandante técnico do Bahia.

Não nego que após a chegada da atual comissão técnica, decorridos cinco jogos, incluindo a perda do Nordestão dentro de casa, questionei nesta coluna o tamanho de Enderson como treinador do Bahia, porém fazendo a ressalva de que não estava questionando o seu potencial – Enderson ainda era uma incógnita por conta das efêmeras passagens sem sucessos em clubes de renome.

Entretanto, o treinador foi ganhando corpo, confiança, prestígio nacional e conduzindo inteligentemente seu time ao ponto de, mesmo estando disputando o campeonato na parte intermediária da tabela, ser dito e repetido por toda a imprensa brasileira que era incoerente a posição do Tricolor em termos de classificação no atual campeonato – sem dúvida alguma havia qualquer coisa de paradoxal, porque os resultados negativos divergiam claramente do futebol praticado pelo time.

Daí que na medida do possível as coisas se encaixaram e agora posso dizer de alma lavada que dá prazer em ver esse Bahia de Enderson pondo em prática uma disciplina tática e uma dedicação tal que só se vê em times do futebol europeu – não é por excesso de entusiasmo que digo isto, é por constatação.

Apesar de não haver nesse elenco nenhum destaque técnico individual acima da média no futebol brasileiro, há um time de razoável pra bom tecnicamente que vem mantendo uma performance superior aos demais coirmãos nordestinos. Digo mais: em relação aos clubes cariocas, é também superior em disciplina tática e padrão de jogo.

Ninguém em sã consciência dirá que foi justa a saída do Bahia da Sulamericana, acho que nem mesmo o torcedor mais ferrenho do Atlético-PR diria essa bobagem. Credite-se a culpa ao VAR da Conmebol, porque não usa o protocolo original do projeto de Manoel Serapião Filho, que não prevê lances de interpretação. Prevê apenas impedimento, gol marcado ou não marcado e pênalti.

Resumindo sobre Enderson e o time do Bahia, fica claro que é resultado do bom trabalho e organização que vem se desenvolvendo no clube desde a gestão de Marcelo Sant’Ana e prosseguindo então com Bellintani. O que vai bem fora das quatro linhas reflete dentro delas. Felizmente essa realidade no Bahia dá ao torcedor o poder de sonhar de olhos abertos com a possibilidade do Esquadrão de Aço voltar à Libertadores a partir do próximo ano e a quase certeza de estar na Sulamericana em 2019. Um contexto com fatos e coisas assim merece aplausos.

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