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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 28/03/2018 às 14h18

O Custo Bahia

Sobre a independência das marcas internacionais, o conceito do projeto é bom e de fácil entendimento, mas vejo um "xis" duvidoso quanto a eficiência sobre a fabricação da indumentária tricolor que prende-se apenas no quesito mercadológico, que é a grife. Entretanto, é uma aposta considerável da visão empresarial e aguardaremos pra ver os resultados dessa ação que visa evidentemente inverter os valores monetários auferidos pelo Bahia. Atualmente, o lucro com a empresa patrocinadora do material esportivo, em números relativos, não ultrapassa 5% sobre a venda das camisas. É realmente baixo considerando por esse ângulo. 

Por outro lado, temos de analisar o fator contratual que rende ao Bahia anualmente - não tenho os números com precisão -  aproximadamente cerca de três milhões/ano e esse é o segundo "xis" do contexto. Foi possivelmente nesse patamar de análise que o presidente Bellintani deve ter se debruçado para avaliar pró e contra. O valor unitário de cada camisa da atual marca é inacessível à maioria da torcida e isto diminui evidentemente a demanda comercial do produto. Certamente, com uma grife própria fazendo valer como apelo apenas a marca do Bahia, diminuirá em muito o valor unitário que hoje está na casa de R$ 210,00 aproximadamente. Convenhamos que o preço é salgado e pesa no orçamento do torcedor. 

Quando falo de grife, abordo dois aspectos: um é a preferência do torcedor que se sente engrandecido usando uma indumentária de marca internacional porque isto conota prestígio se comparando aos grandes clubes do mundo. É uma questão do orgulho tricolor de poder aquisitivo mais privilegiado; outro  é a questão do fabricante do Ceará que não sei precisamente se exibirá a sua marca como parceira ou se apenas é uma indústria de confecções com contrato de exclusividade com o Bahia. De uma forma ou de outra, o passo é ousado e aponta para onde está indo o clube. Mudar a filosofia foi uma decisão olhando apenas o viés comercial em benefício do clube, e isto deve-se ao êxito de outros clubes nordestinos que se dizem satisfeitos com a mudança, o que despertou o presidente tricolor nessa sua revisão do custo Bahia.

Por falar em custo, ainda não compreendi o desmanche parcial das Divisões de Base do clube, porque se você mata o manancial, a fonte seca. Fica subentendido que o departamento continuará funcionando, mas apenas trabalhando com potenciais jogadores soteropolitanos e metropolitanos porque esses não geram custos de hospedagem para o clube. Na contrapartida, seriam feitas parcerias com clubes do interior baiano e de outros estados nordestinos para que as revelações sejam priorizadas para o Bahia e, uma vez semi-pronto o atleta, seria encaminhado para o Fazendão... Essa parte me parece um tiro no pé.

A vaca leiteira de um clube de futebol é a sua Divisão de Base. Se ela é bem alimentada, suas crias crescerão dando os resultados esperados dentro do objetivo. Então, presidente, ao invés de desmanchar essa Base, mesmo que parcialmente, para enxugar custos, você deveria era encaixar no orçamento - que não é pequeno - uma verba anual, que num dado momento poderia ser até autofinanciado com a vendas de jogadores revelados na própria Base. Há que se fortalecer cada vez mais o clube, pois jamais se montará times fortes se não houver Divisão de Base bem estruturada. Demitir um profissional de reconhecido valor profissional como Haroldo Moreira não foi efetivamente uma atitude coerente da diretoria do E.C. Bahia. Descobridores de talentos como Dico Maradona - que além de profissional responsável e trabalhador, é uma pessoa identificada com o clube que o revelou para o futebol, fazendo-o Bicampeão Brasileiro - também foi uma incoerência.

Será que vamos voltar à época em que o Bahia vivia se abastecendo com jogadores oriundos do Santos - só para citar este - da Era Pelé? Foi muito bom, mas aquilo virou saudades, porque agora o futebol ficou igual e quem tem boas revelações, que antes sobravam no Sudeste - vide alguns exemplos como Osni, Mário Sérgio, Douglas, Fito, Léo Oliveira, Romero, Picolé, Peri, Fernando Silva, Gibira e muitos outros -, segura, porque o calendário do futebol brasileiro é esdruxulamente sufocante e exige portanto elencos maiores e de qualidade.

Mas ainda acrescento um detalhe muito singular na história do Bahia: quando ganhamos os dois títulos brasileiros, tínhamos Nadinho, Marito, Leone, Bombeiro, Biriba, Léo Bríglia, Alencar e, mais à frente, Bobô, Ronaldo, Tarantini, João Marcelo, Zé Carlos, Dico Maradona, Charles, Claudir, Sandro e mais alguns que me fogem da memória... todos esses eram crias do Bahia, com raras exceções...

Por isso que finalizo de alma partida esta coluna, porque não consigo dissociar o Bahia de uma Divisão de Base forte e reveladora. Foi assim ao longo dos anos que surgiram talentos como Marcelo, Nonato, Beijoca, Jorge Campos, Washington, Talisca, Daniel Alves, Jean Fernandes, Ronaldo, Cícero e tantos outros que nasceram do "ventre" das divisões de Base do Esquadrão Tricolor de todos nós... Não matem a alma dessa essência tricolor, pelo contrário, fortaleçam e ampliem esses mananciais de águas límpidas que são as divisões de Base do E.C. Bahia.

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