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Coluna

Djalma Gomes
Publicada em 01/06/2018 às 14h10

A outra metade depende de Guto

Vamos falar com a realidade dos fatos e poupar das ilusões nossa própria inteligência achando que no Bahia há uma vara de condão que ao tocá-la pode acontecer a demissão de Guto ou a contratação de dois ou três grandes jogadores. Essa varinha seria a fórmula ideal para transformar necessidade e vontade em realizações, mas seriam essas tão mirabolantes como se fora num deserto onde a miragem tem efeitos alucinantes.

Demitir Guto - segundo a vontade de boa parte da torcida - ou contratar "jogador de peso" custa dinheiro, e isto o Bahia não tem. O fato de haver uma multa alta para ambos os lados sugere que Guto Ferreira faz parte de um projeto a longo prazo dentro do Bahia. É isso que permite a este colunista chegar à conclusão sobre o conceito que a diretoria tem do treinador e, consequentemente, embutido nesse mesmo contexto, um recado indireto para a torcida avisando que Guto não sairá.

O papel do torcedor é exercer sua paixão e o papel do presidente do clube é mediar entre a paixão e a razão. Entretanto, chega num momento que a razão supera a paixão e o regime interno do clube, que é presidencialista, tem de entrar em ação com a mão forte da coerência para seguir o rumo planejado. Sair disso é noivar para casar com o fracasso.

Ceder aos ecos dos gritos por um centroavante, conforme opinião de parte da imprensa e ânsia da torcida, seria matar a bela e quase constatação de sucesso que é Junior Brumado. Também é óbvio que no mercado não tem centroavante dentro das condições financeiras do clube e nem tecnicamente acima ou sequer igual ao Brumado. Sonhar então com mais duas contratações "titulares" é melhor nem aventar.

O que temos para a atualidade no Tricolor é esse elenco que aí está - que a meu ver é bom -, podendo ser reforçado apenas com desconhecidos jogadores que são contratados para compor a faixa aspirante sub-23, onde alguém acima da média técnica poderá substituir o desejo atual do torcedor.

Fora disso é melhor criar o hábito de lidar com a realidade dos fatos, e isto a diretoria tricolor vem fazendo enquanto tenta conscientizar a Nação o porquê da importância de o torcedor se associar, e para isto definiu padrões em cima do poder aquisitivo da Nação Tricolor.

Com um quadro social denso, a Instituição se fortalece e passa a ter um poder aquisitivo forte e atraente, assim como têm os clubes do Sul e Sudeste. Por enquanto, não se pode competir com clubes que possuem de 50 a 150 mil sócios pagantes. O Bahia possui algo em torno de 18 mil sócios - nem sei se todos pagam em dia. É isso que faz a diferença orçamentária entre os clubes de lá e os de cá.

Essa política de contratar para o sub-23 - com ares que parecem inovadores - vem até dando certo, porque já existe quem esteja pedindo passagem. No passado, os clubes de futebol tinham duas categorias, uma profissional e outra aspirante, ou seja, times A e B. Isto dava certo à época, quem sabe pode continuar dando certo agora também no Bahia.

As pessoas que leem esta coluna sabem que tenho um conceito filosófico, de certa forma romântico, formado sobre as divisões de base, e isso aflora em mim o sentimento de que as bases formadoras ficaram meio que esvaziadas com a atual política na Divisão de Base do Bahia. Acho que isso vai revelar menos jogadores genuinamente tricolores, pois a maioria dos garotos que procura o clube o faz pelo que traz do berço familiar - amor pelo Bahia - e isso acontece, principalmente, onde o futebol é bi polarizado.

- Claro que meu raciocínio não é absoluto, mas ainda acredito que sem o sonho lúdico que dá asas ao mesmo não se obtém a fundamental essência dos princípios que levam o indivíduo ao futuro desejado jogando no seu clube de coração.

Não é que o amor ao clube tenha de estar presente acima da lei de sobrevivência individualizada, sobretudo quando o futebol é globalizado e a Europa, Ásia etc. tornam-se tão ao alcance dos jovens talentos. Porém, essa essência possui valores inestimáveis para a formação de um celeiro devidamente sedimentado e bem tricolor.

Na contrapartida dos clamores da torcida por um time mais competitivo, o marketing do clube agiliza meios que façam o torcedor entender a necessidade e detona campanha publicitária para mostrar à Nação Tricolor de que só com uma associação em massa será possível atender a esses clamores.

O Bahia ganhou neste ano um título e está com uma mão em cima de outro, que é a Copa Nordeste. Isto é metade do caminho andado para convencer o torcedor a se associar.

A outra metade depende de Guto Ferreira parar de teimar e colocar em campo um time de qualidade técnica melhor do que esse onde Vinícius parece intocável e a insistência com Élber tem a generosidade de um pai. Só trocando peças e mudando o espírito para um grupo mais aguerrido e que fora de casa tenha a mesma grandeza que ostenta quando joga na Fonte Nova. É isso.

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