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Coluna

Marcos Rudá
Publicada em 25/11/2018 às 19h16

11 anos da pior tragédia.

O que era para ser uma festa, terminou em tragédia: 

 

25 de novembro de 2007 e o Bahia se preparava para enfim sair do calvário da terceira divisão do futebol brasileiro, na época a última divisão possível. 

 

Após uma campanha de muitos sustos, o Bahia tinha pela frente o Vila Nova, equipe de boa campanha que tinha como principal estrela o artilheiro Túlio Maravilha. 

 

Como o empate era bom para ambos os lados, o jogo foi “cozinhado” do início ao fim, com exceção do pênalti sofrido pelo Tricolor de Aço. 

 

O “todo duro” Nonato foi para a bola e bateu da mesma forma que o consagrou por diversas vezes naquele mesmo campeonato, mas naquela tarde quis o destino que o final não fosse o mesmo dos pênaltis anteriores. 

 

Frustração na arquibancada, mas até hoje temos a sensação de que uma tragédia pior poderia ter acontecido se aquela bola tivesse entrado. Deus sabe o que faz! 

 

O jogo seguiu sem muitas emoções e perto do fim a torcida eufórica já gritava: “êêê, eu vou pra série B!!! Eu vou pra série B, êê...”

 

A partida termina e para alívio de todos os tricolores o Bahia estava fora daquele inferno vivido por dois anos. Tchau, “cerei C”! 

 

Eu particularmente fiquei completamente ensandecido e resolvi invadir o campo juntamente a centenas de torcedores. Não cometi aquele pecado de arrancar a grama, mas corri feito um doido naquele campo enorme, subi na trave e curti muito. 

 

Olhei para a Bamor e percebi um “clarão” na arquibancada, mas achei que fosse mais uma das inúmeras brigas que aconteciam na velha Fonte. 

 

Sai do estádio muito contente disposto a curtir Ricardo Chaves e mais outras diversas atrações que estavam prometidas para aquele dia de festa. 

 

Quando cheguei no antigo estacionamento da Fonte, local onde estavam os trios fui informado que os show estavam cancelados. Não procurei saber muito e resolvi ir para um barzinho perto da minha casa, já que ali não tinha mais festa e o que eu queria era gandaia! 

 

Peguei um buzu e já próximo de casa resolvi olhar o celular e percebi que a minha mãe havia me ligado umas 10 vezes. Retornei e ela estava chorando muito, mas não entendi e também não dei muita importância. Achei que ela estava preocupada apenas, pois naquele dia tinha saído de casa às 09:30h.

 

Desci do buzu e encontrei um amigo de bairro torcedor do Vasco. Ele estava tomando umas cervejas e me parabenizou.  Ri, agradeci as saudações e disse que estava muito feliz, pois tínhamos saído daquele inferno. Ele aí me disse que a esposa dele também tinha ido ao jogo. 

 

Antes de ir para o barzinho resolvi passar em casa para deixar minha mãe mais tranquila. Quando abro a porta de casa sou recepcionado com uma das piores notícias que já tive na minha vida. 

 

Era minha mãe dizendo que estava aliviada pela minha chegada e contando que tinham morrido várias pessoas na Fonte Nova. Confesso que por um instante achei que ela tinha enlouquecido, pois eu estava lá e não tinha notado nada disso. 

 

Liguei a televisão e estava passando uma reportagem ao vivo presidida à época pela jovem repórter Juliana Guimarães. 

 

Não me contive e chorei muito! Depois que vi o local que tinha desabado passei a me desesperar mais ainda, pois eu estava muito próximo e sempre assistia os jogos naquela região do estádio. 

 

Passadas algumas horas também tive o desprazer de receber a notícia de que a esposa daquele amigo vascaíno aqui citado era a Milena Palmeira, uma das vítimas da tragédia.

 

É, meus amigos, nada com o Bahia é fácil, mas nesse dia eu sinceramente senti a pior sensação possível. Não conhecia nenhuma das pessoas que foram mortas naquela tragédia, mas senti por elas e estou certo de que elas vivem no coração de cada tricolor. 

 

Estejam em paz e olhem por nós: 

 

Márcia Santos Cruz;

Jadson Celestino Araújo Silva;

Milena Vasquez Palmeira;

Djalma Lima Santos;

Anísio Marques Neto;

Midiã Andrade Santos;

Joselito Lima Jr;

 

Luto eterno. 

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